sexta-feira, 10 de março de 2017

O posso e o poço

Em que medida
não somos nós a falha?
Em que medida não somos nós
que transformamos a vida 
nesse emaranhado de caminhos que não se cruzam
em viagens só de ida

Nós, vivos, perecemos
e nos despedimos
flores já despetaladas dizendo adeus
àquelas que o vento abraçou

Nossa imensidão se encerra 
na caixa de nossas próprias crenças
porque no fim, o que irá nos resumir?
somos o tanto que deixamos 
o tanto que recebemos
ou o tanto que negamos?
seremos, então, a chegada 
ou a despedida?

                                                     Novembro, 2016.

sábado, 19 de dezembro de 2015

À morte



Eu quero é morrer...
mas não de morte matada
quero morrer de cansaço
transbordado da alegria que me cansar as pernas
quero morrer da tristeza
que ocupar a ausência de quem amo
porque pior do que morrer de amor
é morrer de engano

Se a vida for a cegueira
dos olhos que marejam de saudade
se for o sufoco
de quem não respira de tanto correr
então até quero viver
quero viver perdido
sem vontade de encontrar
quero viver louco, vadio, vazio
vazio para que tudo possa me preencher
e nada se demore em querer me completar
porque meu vazio também sou eu
meu deserto também é mar

Só não quero viver de tédio
dessa gente rasa
que enche, mas não agrega
e dessa vida besta
que passa, mas não leva nem deixa nada

Eu quero é morrer,
mas não de morte matada.


18 de Julho de 2013

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A areia e o vento


Tudo que tenho é o agora,
esse instante, esse suspiro
do próximo, já não sei

Por vezes, quero ser menos
só mais um grama
na bola que engloba o mundo

Temo minha cela
meu escritório sem janela
e comemoro o céu que vejo
por cima de meus livros
azul rajado de branco
não tenho tudo, mas sou grato
não tenho a areia,
que se esvai e me leva com ela
mas tenho a vontade
tenho a urgência
sou hospedeiro do maior amor do mundo
mas queria ser vetor
não sou sol
mas sou lua
não sou seu
mas sou da sua


21 de Julho de 2015