quinta-feira, 15 de junho de 2017

Trecho de “Um balé em campo minado”


o tempo sopra no meu ouvido feito um fantasma
que me avisa sobre o espaço entre o início e o fim

...


e dançando sobre essa fina camada de gelo
nos despedimos, cansados dos nós
nós, bailarinos.



Trecho de “Um balé em campo minado”. 372 dias atrás.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Lugar algum

Em algum lugar de mim
me perdi.
não que seja possível me perder de mim mesmo,
infelizmente.
me perdi de tudo, do todo

Do alto da ravina,
não me parece caber o pulo
ainda que meu cansaço o grite
poderia contornar
e encontrar novas colinas
para então também contorná-las
poderia
mas me sento e respiro a brisa
me sento e sinto a terra
me sinto e assento a alma
e dali só o sonho me leva
já que as asas não tenho mais

Em algum lugar de mim
me perdi.
não que seja possível me perder de mim mesmo,
infelizmente.


Junho de 2017.

sexta-feira, 10 de março de 2017

O posso e o poço

Em que medida
não somos nós a falha?
Em que medida não somos nós
que transformamos a vida 
nesse emaranhado de caminhos que não se cruzam
em viagens só de ida

Nós, vivos, perecemos
e nos despedimos
flores já despetaladas dizendo adeus
àquelas que o vento abraçou

Nossa imensidão se encerra 
na caixa de nossas próprias crenças
porque no fim, o que irá nos resumir?
somos o tanto que deixamos 
o tanto que recebemos
ou o tanto que negamos?
seremos, então, a chegada 
ou a despedida?

                                                     Novembro, 2016.