sexta-feira, 10 de abril de 2015

Libertae.

Libertae.

Daqui,
do alto de tudo que eu sei
compreendo com toda a minha alma
que não sei absolutamente nada
mas Sócrates já sabia disso bem antes de mim
e não sei se isso o libertou
como de fato, às vezes, me liberta
do contrário, nada seria
além de um escravo do tempo
que apenas me cortaria a face
com sua navalha cega e vagarosa

Fevereiro de 2015



Nota: Libertae significa " liberto ", em latim.






Romeu - Agridoce (cover)





terça-feira, 16 de setembro de 2014

O silêncio no olhar que não diz nada



E o silêncio se fez...
severo como só ele sabe ser...
um vazio imenso, um abismo gigantesco
um pedaço de nada
separando o tão, o quase, o tudo...
o que é isso,
que finjo saber,
mas não sei?
que acaso é esse que, leviano,
remexe o tabuleiro?

Uma porta inerte, de maçaneta fria
um corte abrupto, mas nem tanto...
passos suaves de uma dança ensaiada
chata
tola
se soubéssemos...
se pudéssemos...
mas não sabemos, nem podemos...
então,
tantas vezes mais,
dancemos...


Setembro / 2014

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sobre a saudade...

Nota: Este foi um comentário que fiz na postagem de um amigo, que falava sobre a falta que alguém lhe fazia, de forma melancólica... O comentário foi em prosa, mas como ficou bonito, preocupei-me em guardar... Ao publicar aqui, transformei em verso simplesmente dividindo em parágrafos... E acredito que funcionou bem... um comentário que nasceu poesia, uma prosa que nasceu pra ser verso...


A saudade está, e ponto... 
e está porque um dia foi, 
e se foi, e foi bom pra deixá-la, 
que bom que foi! 
Claro que por vezes dói, 
enquanto a alma se apequenar, 
simplista como só nossa alma humana sabe ser... 

Mas a busca não deveria ser pela "não-saudade", 
mas pelo acalento da saudade 
que representa o mais belo de nós, 
aquilo que nos cativou e nos premiou, 
pelo pouco que fosse, 
com sua presença...