segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Diferente e igual


É tudo diferente,
mas é tudo igual
é estranho olhar na lente alheia
e ver somente o reflexo de si próprio
não há refração
rebatemos o que vemos
como tenistas ansiosos
superficiais como a neblina que nos confunde
embotados na imensidão
de nossos grãos de areia virtuais

Quanto mais me esforço
para estar inteiro
mais percebo o quanto
os outros estão fragmentados
e me surge a escolha tácita
de me inteirar
ou ser um deles

Meia hora
meio passo
meio traço
de uma massa só
de tão garantido que tudo é
tudo deixa de ser,
no vazio de um copo cheio de ar
do tudo que é tanto
tanto faz,
se é seu
se é sul
se é lá
se é cá
se é sol
se é só...



21 de Fevereiro de 2014.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Trampolim - uma canção do Moska

Um improviso que me deu muita alegria em fazer... O nome da canção é mais que pertinente, porque demonstra o movimento que este blog significa: um salto no desconhecido. Aqui, trago a forma mais genuína de mim, minha forma de ver o mundo, os relacionamentos, sentimentos... Isto aqui pra mim é um imenso trampolim, onde pulo quase de olhos vendados, sem saber, e nem precisar, o que vem depois. 

Hoje quase sei onde quero ir
então corro menos
aprecio cada passo incerto
pois hoje incerto é tudo que sou
a certeza já não me cabe
tanto quanto não caibo nela...


Trampolim - canção do Moska na minha humilde mas sincera interpretação: 


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sem título

Nota: Encontrei esse poema no meio de um caderno antigo... Ele vinha com uma data no final, mas não me recordo do momento em que o escrevi, ainda que compreenda e reconheça o sentimento de que trata... Não havia título...

Não tem porque você querer me explicar
eu também estava lá

Eu estava lá
quando começou a ventar,
e você disse que não era pra eu me preocupar
eu estava lá
quando o tempo fechou,
e gritei pra você
que a gente tinha que se abrigar
mas você preferiu me ignorar
agora não adianta querer perceber
querer me escutar
o vento levou tudo o que tinha pra levar

Eu senti o chão tremer
senti aquilo que tinha no ar,
querendo se dissipar
vi o telhado nos descobrir
o vidro trincar
a parede ruir
se a nossa vista vem da mesma janela,
por que só eu consigo enxergar?

Não tem porque você querer me entender
Você também estava lá

26 de Março de 2007.